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PARA RELER DO OUTRO LADO

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 19.04.21

Eduardo Rêgo

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PARABÉNS

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 29.03.21

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Pelas suas piramidais 32 primaveras. 

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AMOR A QUANTO OBRIGAS

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 10.03.21

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Os Sussex venderam uma entrevista à Oprah que por sua vez a negociou por seis milhões de euros (dizem as más línguas que ignoram as outras que falam em sete milhões).

O que mais me impressionou nesta treta toda foi ouvir um tipo com mais de 35 anos, que agora faz uns biscates chorudos a laurear a pevide, a choramingar porque o pai lhe cortou a mesada.

O resto é lixo.

Acho um piadão a ladainha que leio a bater palmas ao grande amor que ali está (ai, que liiiiiiiindo!) e que aproximam da aventura romântica entre o paspalho do Edward VIII e a manipuladora Wallis Simpson.

O grande amor vivido por estes dois não passou de uma manobra do Churchill para afastar do trono um nazi de merda, poucos anos antes da ascensão de Hitler, que lhe promete depois o retorno da coroa se o paspalhão apoiasse publicamente o nazismo.

O casal presente vive um amor proporcional à quantia que lhe pagam.

É qu' ele não tem culpa. A Meghan é qu' é uma cabra desancaminhadora. É que nadinha com' à Diana qu'era era um doce de bondosa, muito povo, muito dada.

Foda-se! estudem, caralho.   

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CAMONIANA

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 24.02.21

Sempre que posso, e posso todos os dias, acompanho o que se passa com o meu torrão natal.

Admito que o sentimento de nojo e a revolta perante a baba desgovernada que vai alastrando sem vergonha num país que se aproxima a largos passos dos conceitos de terceiro mundismo, dá lugar de forma lenta a um sentimento de total impotência que, mais cedo ou mais tarde, abrirá caminho para a indiferença que vira logo ali à esquina, à direita, mesmo no extremo.

Desde um parolo e paroquial governo da educaçãozita, passando pela trafulhice da ministra da justiçazoca, agarrando pelo caminho uma administração bastante interna com a imbecilidade aos tombos e aos gritos, para chegar a um planeamento chefiado por um mistério ou segredo, a permanência da impunidade é aflitiva.

Factos como o do procurador europeu acabar sentado onde não merece ou o do Tribunal Constitucional acabar chefiado por um alegado anticonstitucionalista, entre tantos outros casos (pese o basqueiral atolambado da comunicação social cada vez mais histérica, volátil, incompetente, refém dos likes e submetida à ocasião panfletária ou de paragona), moldam um cidadão desistente, desanimado, frustrado, deprimido, impotente e certo da inutilidade de qualquer reacção contra o lamaçal vergonhoso em que se vai tornado a governação portuguesa.

As mentiras, os enganozinhos, os drinks de fim de tarde, os dedos enfiados pelos nossos olhos dentro, a festança do desconfinamento e do SNS “resiliente”, os ditos por não ditos, as omissões, as bastonárias às bastonadas, as manobras de barrigas e os ondulares de cintas que se vão avolumando descaradamente, reforçados por operações de cosmética que disfarçam ou escondem as vigarices e as trafulhices dos titulares dos cargos públicos, produzem um fraco povo, imbecilizado, grosseiro, ignorante, crédulo e sobretudo submisso, sobretudo dominado.  

“O fraco rei faz fraca a forte gente”.

Venha o vírus e escolha.

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ÚLTIMOS POSTS

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 04.02.21

"O Trovadorismo é um movimento literário que apareceu em França, Espanha e Portugal, por volta do século XVII, no feudalismo."

Impressionante como se consegue enfiar tanta merda num parágrafo tão pequeno.

 

... e ai, que vejo mal;

e ai, que foi de noite;

e ai, que é perseguição;

e ai, que me perscrutam;

e ai, que foi o teclado que abanou;

e ai, que foi o PC que acrescentou carateres ao XV ...  

 

Porque é que há gente que não admite que escancarou a goela para "bitaitar" sobre merdas que nunca soletrou em condições e que se recusa a pegar num saquinho de plástico, apanhar e fazer desaparecer aquilo, para depois se enfiar com vergonha no primeiro buraco escuro que encontrar?

Fica a dúvida.  

 

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UM TRIÂNGULO ROSA

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 27.01.21

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Um triângulo cor-de-rosa tem sido um símbolo para várias identidades LGBTQ.

Inicialmente tido como um emblema de vergonha, foi recuperado como símbolo positivo de autoidentidade.

Na Alemanha nazi (1930 e 1940) tornou-se um dos emblemas dos campos de concentração, distinguindo os presos identificados pelas autoridades como homossexuais, categoria que também incluía bissexuais e transexuais.

Na década de 1970 foi escolhido como símbolo de protesto contra a homofobia e desde então foi adotado pela comunidade LGBTQ como uma divisa do orgulho LGBTQ e do movimento pelos direitos LGBTQ.

Cerca de 10-15.000 homossexuais foram deportados para campos de concentração. A maioria morreu, muitas vezes de exaustão. Muitos foram castrados e alguns submetidos a tenebrosas experiências médicas.

Hoje, no Dia da Memória do Holocausto, é bom que se recordem também.

A cerimônia do Dia da Memória do Holocausto pode ser assistida on-line em https://www.hmd.org.uk/uk-holocaust-memorial-day-2021-ceremony/

 

O apelo que corre refere que seria importante acender uma vela na janela, às 20.00h de hoje.

Fica a nota.

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PIERRE GONNORD

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 26.01.21

Ciganos do Alentejo

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OS IMBECIS DA SEMANA

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 06.01.21

O imbecil do pivot do Jornal 2 a repetir sucessivamente que “Portugal assumiu a presidência da Comissão Europeia”, sem que ninguém lhe coza o picle.

O populismo pacóvio das “metáforas” palermas e do simbolismo papalvo do candidato Vitorino Silva que enterrou a ingenuidade (no caminho empedrado que vai construindo, como provavelmente diria o tipo) e a leveza interessante daquilo que é genuíno e que acredita muito emproado que agora é mesmo “à séria”.

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BRUXEDOS

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 31.10.20

Porque será que nos ensinaram a ter medo das bruxas, mas não de quem as queima vivas?

Fica a dúvida. 

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#quemnunca

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 12.10.20

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"Retrato de senhora da família Hofer" (c. 1470) - National Gallery

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#quemnunca

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 08.10.20

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LE BLOG C'EST ÇA

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 30.09.20

Galt, Ontario, Maio-1974Le blog c'est moi.

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POR CURIOSIDADE

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 05.09.20

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Há setenta e cinco anos, na Itália fascista, um grupo de homossexuais foi classificado como “degenerado”, expulso de suas casas e internado, isolado, numa ilha. Estes “degenerados” foram mantidos num regime de prisão, que alguns consideraram a primeira comunidade abertamente gay do país e uma experiência libertadora.

“O fascismo é um regime viril. Portanto, os italianos são fortes, masculinos e é impossível que a homossexualidade possa existir num regime fascista”, dizia o professor de história da Universidade de Bergamo, Lorenzo Benadusi.

Portanto, a estratégia era esconder o "problema" o máximo possível.

Em 1938, na Catânia, cerca de 45 homens considerados homossexuais foram presos e enviados para o exílio interno. Encontraram-se finalmente a cerca de 600 km de distância, na ilha de San Domino, no Tremitis.

Todo o episódio foi amplamente esquecido, nenhum condenado está vivo e existem poucos relatos detalhados do que lá aconteceu.

 

No livro, “The Island and the City”, os pesquisadores Gianfranco Goretti e Tommaso Giartosi falam de dezenas de homens, a maioria de Catânia, que enfrentaram as duras condições de San Domino.

Chegavam algemados e eram alojados em grandes dormitórios espartanos, sem eletricidade ou água corrente.

Os prisioneiros sabiam que a exposição de sua homossexualidade teria causado vergonha e angústia às suas famílias em cidades e vilarejos profundamente conservadores.

Um pouco desse estado de espírito é captado numa carta do filho de um camponês siciliano, seminarista, que implora às autoridades judiciais que o deixem ir para casa. “Imagine, meritíssimo, a tristeza de meu amado pai. Que desonra para ele! Exílio interno por cinco anos. Fico louco só de pensar nisso."

O prisioneiro, identificado apenas como Orazio L. implorou por uma oportunidade de deixar a ilha e “servir à Pátria” no exército.

“Tornar-me um soldado e depois voltar ao seminário para viver aposentado é a única maneira de reparar o escândalo e a desonra para minha família”, escreveu ele.

 

No entanto, e sem querer, os fascistas criaram um canto da Itália onde era esperado que se fosse abertamente homossexual. Um morador de San Domino chamado Giuseppe B. disse que homens afeminados não podiam sair da sua cidade natal sem medo de serem assediados pela polícia. Mas escreveu: “Na ilha, por outro lado, celebrávamos os dias do nosso Santo ou a chegada de alguém novo. Faziamos teatro e vestiámo-nos como mulheres e ninguém dizia nada.”

O confinamento da ilha em San Domino terminou em 1939, quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Giuseppe B. disse que alguns dos residentes da ilha choraram, sabendo que seriam separados de seus novos amigos e amantes apenas para voltar à prisão domiciliar ao regressarem a casa.

A discriminação persistiu bem após a queda de Mussolini e os prisioneiros de San Domino foram silenciados com uma série de tentativas bem sucedidas nos anos seguintes para criminalizar a homossexualidade.

 

A ilha gay de Mussolini é o tema da história em quadrinhos de 2008 “In Italia Sono Tutti Maschi” e do musical "San Domino" de 2018, escrito por Tim Anfilogoff e Alan Whittaker.

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GRAFITTI

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 03.09.20

"May the flesh of kings feed the earth"

Portland, Oregon

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PARA RELER QUANDO ME SENTIR OPTIMISTA

Epístola de Sua Eminência o Cardeal, em 17.07.20

"Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.
Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda
compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.
Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.
Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para
nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.
O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo

que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.
Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.
Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.
Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca.
Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.
Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto. Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?
O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos,
como é nossa obrigação, felizes."

 

A. Lobo Antunes

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